Meu percurso artístico é marcado pela ausência de uma constância formal e aprofundamento técnico. Iniciei minha produção com grafite, transitei pelo universo da caneta esferográfica, explorei tinta acrílica, pigmento com cola, fotografia colorida, me encantei pela mobilidade do zine, me aventurei pelo mundo do vídeo e por final voltei a assumir a pintura.  

Gosto de pensar na arte como linguagem em si, como tipo de lógica própria para expressar, captar e canalizar os conteúdos diversos que habitam o espaço mental, não-causal em que vivemos. Gosto de pensar na arte como intrinsecamente política, captando as várias verdades sócio-culturais e as exorcizando na matéria. E por fim, gosto de pensar na arte como espaço único de transformação, de transmutação, de quebras e de quedas. Acredito na responsabilidade enorme do ser criador em relação a cada obra posta no espaço público, na necessidade de ponderar as possíveis conseqüências da sua manifestação e na obrigatoriedade de abrir mão da autoria a fim de deixar a arte atuar plenamente. A responsabilidade, a meu ver, deriva da liberdade de escolhas dentro da realização concreta feitas no decorrer da criação. Não nascemos com o nosso mundo imaginativo pronto, aprendemos a preenchê-lo com todas as suas maravilhas e sombras e com todas as suas conseqüentes associações que ocorrem antes da nossa fala artística pessoal poder existir no espaço mental.

Mas, na minha produção, levo em consideração a existência da realidade empírica e procuro seguir a lei da desconstrução/ cosntrução. Acredito que temos que desconstruir e deixar morrer para poder realmente inventar e criar. Localizo-me na minha produção artística ainda no espaço da desconstrução e desestruturação para, um dia, poder felizmente criar a invenção.