o mal


Meu trabalho exposto é um vídeo projetado em cima de fumaça, subindo de um cone de 50cm aberto somente por uma brecha na sua parte superior. O cone é localizado no ambiente escuro de um quarto vizinho do espaço oficial da galeria, acessado visualmente por uma porta aberta. Uma câmera ligeiramente escondida dos olhos do observador capta a imagem do mesmo na hora dele se virar em direção à fumaça em que ele mesmo vai aparecer de forma destorcida pelo movimento irregular da fumaça subindo.

A irregularidade da fumaça determina a nitidez da imagem e assim influencia na sua identificação. Sem indícios pela câmera discreta a pessoa se enxerga na fumaça, sem se reconhecer imediatamente. Ou melhor, sem reconhecer a sua imagem censurada, não controlada. Esse primeiro momento, em que a pessoa projetada entra em contato com sigo mesma sem se projetar conscientemente é o momento em que a pessoa entra em contato com o seu lado sombra. O sujeito é objetificado por si mesmo e é alvo das projeções inconsciente dos seus próprios conteúdos reprimidos. A integração do objeto no sujeito, e vice versa é a ruptura da dicotomia agoniante do sujeito fragmentado pela estrutura binária da cultura ocidentalizada.

Segundo Jung, culpa é o resultado de raiva não exteriorizada. Socialmente mais aceita a culpa substitui a raiva que por sua vez e projetada para o outro que se torna contra o culpado. Assim a raiva original é transferida para outro e nos entramos em contato com ela a partir da culpa em relação à raiva do outro contra nos.

Não querendo aceitar a existência de emoções e características culturalmente opostas ao ser bom às atacamos no outro. A luta interna é transferida para o contato social e a integração é impedida pela desqualificação do ser alvo das nossas projeções. E assim são criados satanases diariamente e proporcionalmente a ilusão do deus todo poderoso em nos reforçada.


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